quarta-feira, 31 de agosto de 2011

'Tenho pós-graduação em teste vocacional', diz vestibulando indeciso

O estudante Leopoldo Henrique Vieira Marcelino, de 18 anos, não sabe onde colocar o X na ficha de inscrição do vestibular: direito, comunicação, medicina ou odontologia? “Difícil. Passei todo o ano do pré-vestibular tentando decidir isso e até hoje não consegui”, afirma.

O tempo agora é curto, pois, em setembro, vence o prazo para o candidato se decidir sobre o vestibular da maior universidade mineira, o da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No ano passado, Leopoldo começou a buscar ajuda profissional para escolher a carreira e, desde então, tem se dedicado muito a outra tarefa difícil: autoconhecimento.

Até o fim do ensino médio, cursado em Campos Gerais, no Sul de Minas, Leopoldo sabia que era um estudante dedicado e que poderia se beneficiar disso na universidade. “Eu era um estudante esforçado, que teria um futuro pela frente e teria capacidade de exercer alguma coisa que quisesse fazer, mas não sabia o quê”, responde e sorri.

Segundo Leopoldo, a influência da família não é muito forte, mas existe. “Minha mãe queria que eu fizesse medicina e o meu pai algo que tenha destaque”, conta. Para conseguir a resposta tão desejada, o estudante fez testes na internet, sessões com duas psicólogas no ano passado e participou de dois grupos de orientação profissional no curso pré-vestibular em que está matriculado. A busca assídua virou motivo de brincadeiras entre os amigos.

“Já cheguei a fazer nove testes na internet em um único dia”, conta. “De teste vocacional eu entendo, tenho até pós-graduação nessa área”, brinca. Leopoldo conta que os amigos dizem que vão colocar todas as opções escritas em papeizinhos para que ele retire um e decida o que cursar.

Deixando de lado as brincadeiras, Leopoldo encara suas preocupações. “Primeiro, a responsabilidade de uma escolha que vai ser para o resto da minha vida. Eu alio muito o meu prazer com o mercado de trabalho. Eu tenho que pensar no fator família, realização pessoal e no retorno financeiro”, enumera.

As orientações profissionais ajudam Leopoldo a reconhecer habilidade e aptidões. “A certeza que eu tenho é que gosto dessa relação interpessoal. Isso eu tenho certeza. Os resultados mostram que eu tenho aptidão para duas áreas [saúde e sociais aplicadas]”, disse. Outro recurso buscado pelo estudante foi assistir a aulas experimentais, isto é, se passou por aluno dos cursos de medicina e direito por um dia.

"Estou chegando num momento que já tenho muitas informações sobre mim mesmo, mas falta tomar um posição e, mesmo que isso tenha pontos positivos e negativos, eu vou ter que arcar com as consequências. Falta parar, tomar uma decisão e arriscar”, disse.

Se o vestibular fosse hoje, ele não estaria pronto. Ao ser pressionado, como se este fosse o último minuto para marcar o X, ele diz: “Não sei, precisa responder mesmo? Se eu tivesse que escolher agora, neste instante, eu faria um sorteio”, se decide.

- Referência: G1

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